sexta-feira, 30 de março de 2007

Pet Shop Boys em BH

Eu não fui ao show dos Pet Shop Boys em Belo Horizonte. A preguiça de um domingo foi maior do que qualquer coisa. Mas eu ainda tenho amigos com espírito jovem como o João Andrade. Eu pedi e João escreveu pro Síncope como foi o show, e ainda mandou fotos.

Apesar de o show ter acontecido há quase duas semanas eu só pensei em pedir a colaboração há poucos dias, por isso a notícia está um pouco datada. Mas agora fico esperta para pedir a little help from my friends quando necessário.

Texto e fotos por João Andrade.

"You are crazy, people. And we love it!"


Com essas simpáticas palavras, Neil Tennant, vocalista dos Pet Shop Boys, encerrou o show da dupla em Belo Horizonte, no dia 18 de março (domingo). O duo inglês já havia passado 2 vezes pelo Brasil sem pisar em BH – em 1994 os caras se apresentaram em São Paulo e no Rio de Janeiro, e, em 2004, apenas em SP – mas, desta vez, decidiram
incluir a capital mineira na turnê do álbum “Fundamental”. A julgar pelo número de ingressos vendidos (quatro mil e setecentos, segundo a organização do evento) e pela alegria da platéia, ninguém se arrependeu da decisão.

A longa fila na porta do Chevrolet Hall era uma pista do que estava por vir. A apresentação estava marcada para começar às 20 horas, mas, às 20:30, pelo menos um terço do público ainda não havia conseguido entrar. A expectativa era grande, e a falta de informação, completa. Pessoas que esperavam de pé havia 30 minutos ainda se perguntavam se estavam na fila certa. Só quando o show começou, com 40 minutos de atraso, foi liberado o segundo portão de acesso ao ginásio.

Quem subiu as escadas correndo ainda conseguiu ouvir o final da música de abertura, "God Willing/ We're The Pet Shop Boys", mas perdeu a entrada em cena da dupla e de seus dançarinos. Em seqüência, veio "Left My Own Devices", e o esforço sincero de Tennant em dizer corretamente “Alô, Belo Horizonte!” ganhou a simpatia do público, que vibrou, aplaudiu e dançou muito, mesmo durante as músicas menos conhecidas.

Não existiam lugares vazios na pista, e as arquibancadas estavam cheias também. O calor incomodou um pouco, mas não comprometeu. Serviu como uma desculpa a mais para que boa parte da platéia (da platéia masculina, pelo menos) tirasse a camisa. Como bem disse um amigo, o público era formado basicamente por gays, tiozinhos e tiozinhos gays. Mas não é todo dia que se vê nesta cidade um time de descamisados dançando ao lado de jovens casais e pais de família saudosos dos anos oitenta.

E se alguém tinha dúvidas de que a apresentação agradaria a grupos tão diversos, elas foram esquecidas quando os primeiros acordes anunciaram a ótima “Se a Vida É”, seguida da indefectível “Domino Dancing”. Todos dançaram e cantaram indistintamente. Até o final da noite, vários outros hits causariam igual reação: “It’s a Sin”, "Always On My Mind", "Where The Streets Have No Name/ Can't Take My Eyes of You" e "Go West" (esta, com direito a uma impressionante adesão em massa à coreografia).

inverno

africa

A empolgação foi menor durante a execução de músicas menos conhecidas, como “Home And Dry”, “Minimal” e "I'm With Stupid" (esta, um hino antibush bem chato), mas, mesmo nesses momentos, o divertido espetáculo visual mantinha o público no lugar. Num telão eram projetados desde cenas históricas reais (o funeral da Princesa Diana, por exemplo) a capas de álbuns da dupla. Dançarinos interagiam com as imagens gigantes e desenvolviam movimentos sincronizados.

Os recursos de iluminação e figurino foram explorados no limite da estética gay. Luzes neon coloridas piscavam conforme o ritmo da música, e ora spots destacavam diretamente a dupla, os backing vocals e os dançarinos, ora projetavam imensas sombras deles no telão. Para cada coreografia, havia uma roupa específica, que variava de uma fantasia dourada de cowboy a casacos de inverno pesadões, passando por um sombrero – justiça seja feita: Christopher Sean Lowe, mais discreto que Tennant, ficou o show praticamente inteiro no canto direito do palco, não fez coreografias, não vestiu figurinos temáticos, nem usou sombrero.

Fato é que a apresentação durou pouco mais de uma hora, tempo suficiente pra que os Pet Shop Boys apresentassem todos os seus hits – o que todos queríamos ouvir – sem que o público se cansasse – diferentemente do que aconteceu na primeira noite dos caras em São Paulo, taxada de “morna” pela imprensa paulistana.

E a satisfação parece ter sido mútua. Após deixarem o palco pela primeira vez, foram trazidos de volta pelas batidas frenéticas dos pés da platéia e, depois de mais algumas esforçadas tentativas de agradecimento (Belo Horizonte é um nome impronunciável), não hesitaram em tocar “Being Boring”, uma das canções mais esperadas e pedidas da noite, que não fazia parte do set list original e não foi tocada no Rio.

No fim das contas, todos parecem ter se divertido muito.

P.s.: Alguém avisa ao Chevrolet Hall que quem paga R$80,00 por um show de pouco mais de uma hora de duração espera um mínimo de conforto e organização. Chega de cerveja Kaiser/Bavária por R$ 3,50, som baixo e ar-condicionado fraco. E o que dizer de apenas um portão de entrada para 4.700 pessoas?

gowest

poser

limao