quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Super(?)guidis

Na edição de abril da revista Bizz uma das chamadas da capa era: 13 nomes que realmente importam no novo rock. Fui conferir e os 13 nomes eram:

1- Hal
2- Jenny Lewis
3- Supercordas
4- Clap Your Hands Say Yeah
5- Arctic Monkeys
6- We are Scientists
7- Superguidis
8- Hard-fi
9- Los Alamos
10- Wolfmother
11- Guillemots
12- Stephen McBean
13- Moptop

Tentei me concentrar nas bandas nacionais que eles indicaram tendo em vista a minha defasagem no quesito música brasileira.

Moptop eu já conhecia, fui a um show deles na Obra e curti bastante. Até comentei sobre esse show aqui. Supercordas ainda não conheço, mas pretendo escutar em breve.

Já o Superguidis.... ah, o Superguidis.

Eu não sou de ficar falando mal de bandas por aqui, só uma outra crítica construtiva. Prefiro falar das que eu gosto e indicá-las. Mas o Superguidis não tem jeito, eu vou ter que desabafar.

Na sexta feira passada eu fui à festa de comemoração aos 9 anos do Programa Alto Falante. A primeira das 4 atrações da noite era o tão falado Superguidis. Eu estava ansiosa para conferir o som dos gaúchos tão aclamados por essa publicação que eu costumo respeitar.

Confesso que fiquei extremamente decepcionada com a apresentação, ainda mais porque fui esperando uma versão brasileira de Guided by Voices misturado com Foo Fighters, que foi o que a Bizz me prometeu.

O que eu ouvi foi um som absurdamente óbvio, com melodias bobas, sem graça, bem teenager, e com letras tétricas. Eu sei que escrever boas letras em português é uma tarefa árdua e para poucos. Mas, francamente, uma música cujo refrão é “o coraçãozinho sobreviverá” é muito pior que falta de talento. É falta de vergonha e amor-próprio.

Eu, que excepcionalmente estava sóbria como um monge naquela noite, quase cortei meus pulsos, mas eu ainda tenho amigos e consegui me controlar para esperar pelo próximo show.

Quem se apresentou foi a banda acreana Los Porongas e digo que assisti-los valeu a pena. Esse foi o meu maior contato com esse estado tão remoto e igualmente simpático. Para dizer a verdade, ainda tenho minhas dúvidas a respeito da real existência do Acre. Mesmo já tendo feito uma escala de avião por aquelas terras e conversado com uma jovem supostamente acreana durante toda uma noite, continuo duvidando da legitimidade de tais informações. Bom, teorias da conspiração à parte, a banda que se diz acreana é de fato competente e bem mais interessante que a maioria das que aparecem por aí.

Já a apresentação teatral/circense dos mineiros do Falcatrua, as exageradas expressões faciais do vocalista, e a entonação dos versos “viver... e não ter a vergonha de ser feliz...” foram suficientes para que eu decidisse que o mais sábio a se fazer naquele momento era voltar para o silêncio da minha querida casa.

De qualquer forma, o pessoal do Alto Falante merece os parabéns pelo sucesso de 9 anos e espero que continuem aí durante muitos e muitos anos.