segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Show do Franz Ferdinand, the Ladies e Grandaddy

Ufa! Ingressos comprados sem stress para o show do Franz Ferdinand no Circo Voador. Acho que vai ser fino. Para mim, show agora é só assim. Não sei se é maturidade chegando ou se é frescura mesmo, mas esse negócio de mega-shows não me pega mais. Imagina! Ver os Rolling Stones na praia junto com 1 milhao e meio de pessoas? Ou brigar por uns míseros ingressos para ver o U2 menor do que um caroço de azeitona? Sinceramente, não entendo o propósito desse tipo de coisa.

Desculpem-me a pieguice, mas para mim, a experiência de um show é algo quase que transcendental. É um momento único entre o público e o artista. Os melhores shows são aqueles em que acontece uma identificação e interesse recíproco entre quem está em cima do palco e a platéia. Mega-shows impossibilitam esse tipo de relação. O público fica muito disperso e a magia vai por água abaixo. Simplesmente não vejo o propósito.

Franz Ferdinand vai ter um público de apenas 2.500 pessoas, em um lugar que eu ainda não conheço, mas que me garantem que é um sucesso. Só não vai ter ar condicionado e carpete vermelho como o Tim, mas está valendo.

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Resolvi escutar a rádio de female vocalists da Last.fm. Tive algumas boas surpresas e ótimas lembranças.

As novidades para mim foram:
• CocoRosie: as irmãs Sierra e Bianca Casady fazem um freaky-folk bem bacana. Já está no meu top 5 da semana, bem ali no canto superior direito deste blog.
• Sia : voz super rouca super charmosa. Destaque pra faixa Breath Me que foi trilha sonora da série Six Feet Under.
• Azure Ray: som bem calmo e bonito. Às vezes lembra Aimee Mann. O EP New Resolution tem um remix feito por Jimmy Tamborello (Dntel e PostalService). Essa observação é uma homenagem ao coleg@ anônimo que comentou no último post.
• Joanna Newsom: mas que vozinha mais esquisita! Num momento soa bem infantil e em seguida parece que a Marge Simpsom está fazendo participação especial no disco. Mas toda essa esquisitice tem um resultado bem interessante.

E as lembranças:
Jewel: tá bom, admito que passe do limite folk e tende pro country, mas as músicas são ótimas assim como a voz da Jewel.
Tori Amos: Sempre gostei, mas conheço pouco para o tanto de coisa gravada que ela tem. Vou me esforçar e escutar mais.

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Nota: O Grandaddy anunciou o seu fim depois de quase 15 anos de existência. O último disco da banda será lançado em maio e se chamará Just Like the Fambly Cat.
Grandaddy é uma banda que me surpreendeu porque quase conseguiu fazer uma versão de Beatles melhor do que a original. É da música Revolution e está na trilha sonora de I am sam.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Postal Service, Apple e a cópia

Ben Gibbard do Postal Service fez uma reclamação formal a respeito do novo comercial para TV do chip Intel da Apple. Ele diz que o anúncio é uma cópia do vídeo de "Such Great Hights", que inclusive é produto dos mesmos diretores, Josh Melnick and Xander Charity. Não há dúvidas de que se trata de uma imitação descarada. Quem quiser conferir, aqui estão o anúncio da Apple e o clipe do Postal Service.

Se você ainda não conhece a banda, não sabe o que está perdendo. Trilha sonora pra diversos tipos de atividade, de café da manhã a longas viagens, o disco Give Up de 2003 ainda não saiu da minha lista de mais ouvidos. As canções são propícias para um sing along. Algumas letras são engraçadinhas como a de "We will become silhouettes" (Because the air outside will make/Our cells divide at an alarming rate/Until our shells simply cannot hold/ all our insides in,/And that's when we'll explode/and it won't be a pretty sight) e outras de gosto bastante duvidoso como em "Clark Gable"(I want so badly to believe that there is truth and love is real).

Bom, mas o que importa é que o disco é uma delícia de ouvir e eu mal posso esperar por um novo lançamento do Postal Service. O pior é que não há nem um sinal de que isso aconteça em breve.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Extraordinary Machine - Fiona Apple

Fiona Apple está aí e está muito bem. Eu, como confessa fã que sou, fico muito feliz com todo o reconhecimento que ela vem recebendo. Estava mais do que na hora, afinal não é comum encontrar uma jovem compositora/intérprete com tamanha maturidade musical. Fiona fez seu primeiro sucesso em 1996 aos 19 anos e Tidal foi álbum de estréia. A moça estava em todo lugar, mas aqui no Brasil ela foi esquecida logo depois do primeiro hit, "Criminal".

Por causa dessa displicência, alguns anos depois do primeiro sucesso, eu já havia me esquecido da sua existência. Quando a redescobri não deu outra: viciei.

O segundo disco, When the Pawn é uma obra-prima que eu escutei e reescutei incansavelmente. A cada audição descobria alguma coisa nova, um barulinho, uma frase, uma virada de bateria, uma surpresa que me encantava. Além da música, as letras são sensacionais. Fiona não mede palavras e essa é uma das suas maiores virtudes.

Esperei ansiosamente pelo terceiro lançamento, mas nada. A informação que encontrei nos sites de fãs me deixou chocada: o terceiro disco de Fiona estava pronto desde 2002, mas nenhuma gravadora aceitava lançá-lo. Diziam que era estranho demais e absolutamente nada comercial.

Finalmente em 2005 uma a Sony resolveu apostar suas fichas em Extraordinary Machine. O disco foi recebido maravilhosamente pela crítica. Trata-se realmente de um álbum com um toque freak, mas é exatamente isso que faz dele um trabalho singular que cativou tanta gente.

Mesmo assim, o álbum possui músicas de fácil audição e que seduzem logo de cara. Eu poderia escrever linhas e mais linhas discorrendo sobre cada uma delas, mas ninguém ia ler, portanto indico as mais bacanas.

“Not About Love” é forte, crua e emocionante, características essas de muitas das canções da artista. A letra, como ja mencionei anteriormente é bem direta. "This is not about love/ couse i'm not in love/ in fact i can´t stop falling out". "Oh Sailor" é uma balada que mostra a beleza e com uma pitada de esquisitice típicas das composições de Fiona e canção título é simplesmente incrível.

O disco é lindo e mais uma vez Ms. Apple mostra sua alma agridoce sem auto-sensura. É com razão que apareceu em tantas listas de melhores discos de 2005, inclusive no primeiro lugar da Slant, da Entertainment Weekly e do New York Times. Mas preciso confessar que a menina dos meu olhos continua sendo When the Pawn, talvez porque a nossa história seja mais antiga. Mesmo assim, Extraodinary Machine tem grandes chances de desbancar o anterior dentro do meu ranking.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Menina Prodígio

Zoe era uma menina de 13 anos muito esquisita. Quer dizer, Zoe era uma menina que gostava de música muito esquisita para quem tem 13 anos.
O pai de Zoe tem um blog. Certo dia ele escreveu um post sobre umas fitas que a filha havia deixado em seu carro.
Dave era amigo de um amigo do pai de Zoe e leu esse post. Ficou impressionado com o gosto musical da mocinha de 13 anos.
Bom, Dave chamou Zoe para participar de um programa de rádio. Zoe aceitou. Zoe fez sucesso e hoje, graças ao potcasting, todo mundo pode ouvir o programa da Zoe.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Síncope no Pílula Pop

Pessoal,
Meu post sobre o disco novo dos Strokes, "First Impressions of Earth", está mais bonito lá no Pílula Pop. Dêem uma olhada!

sábado, 7 de janeiro de 2006

Brasileirinha 2.0

Antes de falar da segunda banda da minha aventura brasileira, gostaria de aplaudir o show que rolou na Obra nessa última quinta-feira. Clap, clap, clap. Monno, banda de BH, abriu para os cariocas do Moptop. As duas me agradaram muito. Destaque para o baterista da Monno e para o guitarrista do Moptop.

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Depois da decepção com Cachorro Grande resolvi re-escutar, dessa vez com a devida atenção, às musicas do disco Nadadenovo do Mombojó. Essa banda de Recife tem sido muito comentada e mesmo com pouco tempo de carreira já possui um bom número de fãs.

Tentando definir o estilo, acabei me perdendo. Eles são uma grande mistura de rock, bossa-nova, mangue-beat, jazz e eletrônica, que soa muito interessante. O mais próximo que consegui chegar de uma classificação foi trip-mangue-hop (?). Vamos ver se consigo me explicar melhor.

Existe uma nítida, inevitável e forte influência da Nação Zumbi. No entanto, o som do Mombojó é bem mais suave e calmo, tendendo para o trip-hop. Scratchs e rimas são encontrados em algumas músicas. A flauta, por ser um instrumento pouco usado nesse tipo de som, surpreende o ouvinte.

O efeito usado no vocal e a bateria de repicada estilo Caleidoscópio (eu não sabia, mas o Google me informou que esse é o nome da banda que toca aquela “rolei na areia e fiquei louca”- socorro) me deixam apreensiva por se tratar de uma moda. E modas, quando passam, inevitavelmente se tornam barangas. Fico imaginando esse disco sendo escutado daqui a duas décadas.

O nome do álbum, Nadadenovo, me chamou atenção. Realmente eles lançaram mão de ingredientes já muito conhecidos, mas o resultado soa bastante novo. No fim das contas fizeram um disco moderno, maduro e diferente do que tem rolado no Brasil nos últimos tempos. Um alívio!

É possível baixar o disco inteiro em mp3 no site do Mombojó.