quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Brasileirinha

Comecei a perceber que não tenho escrito sobre música brasileira no meu blog. É uma coisa meio hereditária, eu acredito. Meu primeiro contato com rock foi pelo meu pai. Ele é um cara cuja coleção de vinis adquiridos na tenra idade conta com a discografia quase completa Led Zeppelin, Jimmy Hendrix, Yes, Beatles, Eric Clapton, Bob Dylan, B.B. King. Ah, tem também UM disco dos Novos Baianos e outro do Caê. Nada de Chico nem de Elis. Nada de Mutantes, Tropicalismo, mistura de berimbau com guitarras elétricas, antropofagia. Não. Só mesmo os puros rock inglês e americano. Constatei que se tratava de um Lucy in the Sky

Tendo isso em vista resolvi realmente me esforçar pra compensar a falha genética e baixei um disco do Cachorro Grande. Sim, o nome da banda é ridículo e foi exatamente por isso evitei escutá-los durante muito tempo. Sempre achei que era o nome de um rapper brasileiro. Mas dizem por aí que o som é bom e como sempre fui da idéia de que é melhor provar e cuspir do que nunca saber qual é o gosto...

Resolvi ouvir o primeiro que é de 2001 e homônimo da banda (eles não se tocam). Acabei ouvindo também o As Próximas Horas Serão Muito Boas.

O som é rock e de rock eu gosto! Praticamente não encontrei nada exatamente ruim nos discos a não ser a voz do cantor, que, na terceira música se torna insuportável. É um som correto dentro do que se espera de uma banda de rock: de fácil digestão e animado.

Mas da mesma forma também não encontrei nada que me surpreendesse, nada que eu já não tenha ouvido antes. E principalmente no primeiro disco a influência de Mutantes corre solta. Adoro Mutantes. Eles eram super inovadores há meio século atrás.

Decepcionada com a primeira banda brasileira atual que escutei, não desisti por aqui. Fui à procura de outra banda. Mas essa fica pro próximo post.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

"You Could Have It So Much Better"

Finalmente ouvi o segundo disco do Franz Ferdinand. A primeira vez que escutei uma música dessa banda eu não me lembro quando foi, mas me lembro de quando os vi pela primeira vez. Foi a apresentação que eles fizeram para o Europe Music Awards de 2004. Tocavam seu primeiro hit, "Take Me Out", que era repetida exaustivamente nas rádios naquela época. A música me lembrava um pouco o U2 no início e a mudança de andamento, truque tão bem usado pelos Beatles, me fascinava.

Bom, nessa época eu pensava que essa seria mais uma bandinha com uma música boa cujo produtor decidiu que a sua "marca registrada" seria ternos e maquiagem. Nem me preocupei em ouvir outras músicas do disco até que esse caiu na minha mão. Ouvi e gostei. Muito. Mesmo assim continuei a subestimar o talento dos rapazes.

Nesse segundo disco eles não só alcançaram como ultrapassaram minhas expectativas. O álbum é bastante pop, disso não tenha dúvida. Mas, se todo disco pop tivesse a qualidade que esse tem, o mundo estava salvo.

"You Could Have It So Much Better" começa com "You´re The Reason I'm Leaving" que já desarma qualquer ouvinte. Em seguida sacam o simpático piano de "Eleanor Put Your Boots On". Sobre "The Fallen" sou até suspeita. Na primeira vez que a ouvi, tudo o que eu queria era já saber a letra de cor pra poder cantar junto. "Do You Want To" é a primeira música de trabalho e muito bem escolhida para esse papel. Tem um refrão fácil e pegajoso, mas surpreendente como costumam ser as canções de FF. Lembra o Blur dos 90, inclusive no vídeo, que é bem-humorado como "Girls and Byos" e "Country House" dos colegas ingleses.

O disco segue com músicas de fácil digestão, mas de forma alguma óbvias. Aliás, a tendência a surpreender é uma característica forte do grupo. Digo isso porque em várias canções podemos ouvir a quebra com o padrão verso, refrão, verso, além da mudança de andamento numa mesma canção, já comentado aqui. Uma única música chega a ter três partes completamente diferentes em termos de ritmo e melodia.

Quanto ao show que eles fariam no Brasil abrindo o U2, parece que já é um boato desmentido. Li que eles estarão acompanhando o Depeche Mode de janeiro a abril de 2005. Uma pena. Eu, como uma devoradora de shows, adoraria vê-los ao vivo.

Quem quiser assistir aos vídeos do FF clique aqui. O mais recentemente publicado foi o de "Walk Away", balada irresistível que está no meu top 5 do momento.

domingo, 18 de dezembro de 2005

As novas boybands

Dia desses estava passando um clip na TV daquela bandinha... N'Sync. Tentei me lembrar de quanto tempo havia que eu não me deparava com um clip desse tipo de grupo por aí na mídia. Esses assim, em que produtores escolhem cinco mocinhos para cantar e fazer coreografias ridículas. Esses assim, em que é muito fácil duvidar da capacidade vocal do integrantes e impossível acreditar autoria própria das músicas, por pior que ela sejam. Bom, pensei mais um pouquinho e me dei conta de que essas bandas estão aí sim, mas disfarçadas.

Avril Lavigne substituiu a Britney Spears, Blink 182 preenche o vazio deixado por N'Sinc, Good Charlotte é o Five, mas vestido de punk, e finalmente Linking Park, as novas Spice Girls. Isso mesmo, as Spice Girls, porque fui descobrir outro dia que os dois grupos foram criados pelo mesmo método que consiste em fazer uma bateria de testes e 5 desconhecidos são escolhidos pra formar um grupo, gravar álbum, fazer tournée, independente da afinidade entre os participantes.

É... o rock é o novo pop. Agora, não sei se fico com dó das pobres crianças que acreditam nesse rock farofa, ou esperançosa de que pelo menos uma delas vá se interessar por rock de verdade no futuro.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

First Impressions of Earth - The Strokes

Quem quiser ler uma versão mais bonita e bem escrita dessa crítica, põe o mouse aqui!

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Então eis que surgem todas as músicas do novo disco dos Strokes que será lançado em janeiro. Já estava ansiosa para saber se First Impressions of Earth seria mais uma continuação de Is This It, como foi Room of fire, ou se algo completamente novo apareceria. Nem um nem outro, tanto um quanto outro.

O novo álbum é certamente o mais bem cuidado dos três. Cada músico evoluiu muito com seu respectivo instrumento. Arranjos mais extravagantes e inventivos podem ser encontrados em várias faixas. O som está mais limpo, bem tratado e trabalhado.

Quase não se ouve o típico efeito no vocal que caracterizou a banda. A bateria de Fabricio Moretti está mais criativa do que no passado e chega a surpreender em faixas como Ize of the World e Heart in a Cage, duas ótimas candidatas a novo single. Nikolai Fraiture mantém o baixo bem básico. Suas melodias incríveis, que tinham participações importantíssimas nos discos anteriores, surgem agora em poucos momentos, como no refrão de Razorblade e Fear of Sleep. As guitarras continuam as mesmas, sempre aparecendo muito, algumas vezes acompanhando o vocal, outras fazendo "segunda voz" uma da outra. A novidade é que em algumas faixas elas estão mais pesadas e constantes, fazendo um papel mais de guitarra-base do que melódico. Fazem uma participação excelente em Red Light, juntamente com o baixo.

Faixas que merecem destaque são a primeira música de trabalho Juicebox, a super charmosa You only live once, e a cativante Ize of the World. Hawaii é uma música que foi tocada no Tim Festival Rio, mas que não entrou no disco.

Em First Impressions existe uma alternância entre músicas emocionantes, no melhor estilo Strokes e outras um tanto quanto chatas e monótonas. Algumas são tão monótonas que chegam a se tornar maçantes e irritantes como 15 Minutes e Killing Lies. Essas músicas têm em comum a falta de suspense e pontes características, que são sensacionais em Reptilia e Barely Legal por exemplo. São também muito repetitivas como Ask Me Anything, em que a frase I´ve got nothing to say é repetida até a exaustão. Nessas canções falta expectativa e explosão. Falta dinâmica.

O grupo dessa vez escolheu dar mais atenção aos detalhes, mas acabou esquecendo de se preocupar em como soaram as canções como um todo. Muitas vezes o resultado foi decepcionante.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Colunista esperto, Igreja e Lista de Desejos

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Álvaro Pereira Júnior, na coluna Escuta Aqui da semana passada, fez as "críticas" dos show do Claro que é Rock antes mesmo dos shows acontecerem. Imaginei o que viria na coluna dessa semana. Não falei? Olha como é fácil prever os shows desses caras! Então, foi isso mesmo que aconteceu e Álvaro conseguiu "provar que o cenário pop/rock anda previsível". Ainda completou: "E [provar] que qualquer mané que leia dois ou três sites gringos e saiba escrever uma frase com sujeito, verbo e complemento, é capaz de fazer resenhas de música pop". Hum... algo em comum com esta que voz fala?

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O Arcade Fire começou a gravar seu segundo disco. E para isso compraram nada mais, nada menos do que... uma igreja. Estão reformando o local para ser transformado em estúdio. O guitarrista Tim Kingsbury justifica: "Tim e Regine meio que tinham uma fantasia de comprar uma igreja". A tal igreja foi encontrada pela internet e fica perto de Montreal. Nela cabem cerca de 150 pessoas. Segundo o músico, a igreja é Presbiteriana e foi construída em torno de 1900. Durante um tempo serviu de abrigo Maçônico, tanto que em uma das janelas pode ser visto um símbolo maçônico em vidro fundido. "Temos quase certeza que Maria Madalena está enterrada no porão" brinca Kingsbury. O disco deve ser lançado na segunda metade de 2006 e só mesmo um milagre pode fazer com ele supere seu incrível antecessor.

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O Natal está chegando e agora é a hora de mandar a lista de presentes pro Bom Velhinho ou pra qualquer Boa Alma que ouça nossos pedidos. Venho então tornar pública a lista de presentes que eu gostaria de assistir aqui no Brasil no ano que vem, tendo em vista que 2006 potencialmente pode superar esse ano de festivais inesquecíveis que foi 2005.

1 - Clap your Hands Say Yeah
2 - Queens of the Stone Age (porque eu perdi o outro)
3 - Franz Ferdinand (esse não vale porque já é quase certo que eles vêm abrir U2, então troco por The Killers)
4 - Foo Fighters
5 – Spoon

E como a esperança é a última que morre, coloco também na lista a mais desejada de 10 entre 10 indie-rockers, o Radiohead.

Quem quiser completar a lista ou fazer a sua própria, por favor, sinta-se à vontade. Os comentários estão aí pra isso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

As maravilhas que a internet pode fazer por sua banda

Ninguém pode deixar de conhecer a rádio online last.fm. Você vai lá, se cadastra rapidinho, baixa um programinha e pronto. Todas as músicas que você puder imaginar estão lá disponíveis, em boa qualidade, para você ouvir quando quiser. Uma maravilha pra quem não tem preconceitos e gosta de conhecer novos sons.

É possível escolher o estilo da rádio ou criar a sua. Quero dizer, você faz uma lista de artistas que gostaria de ouvir e o DJ dEUS vai lá e faz a programação para você. E ainda dá uma incrementada com artistas similares àqueles que você escolheu.

Como é de praxe, o usuário cria um perfil, troca figurinhas com os colegas que compartilham do gosto musical, faz listas das bandas e músicas preferidas entre outras coisas.

Vou aproveitar a deixa e falar mais um uma coisinha a respeito do assunto do post retrasado. Também não pouparei palavras ao exaltar a Internet como instrumento de divulgação de música, principalmente para artistas independentes.

Está cada dia mais fácil ouvir histórias de bandas que nunca lançaram um CD mas que estouraram graças à rede. Temos nessa lista os paulistas do Cansei de Ser Sexy e os cariocas do Forfun. Mas o exemplo clássico e definitivo dessa revolução é o da banda Arctic Monkeys que colocou suas duas únicas músicas no MySpace e em pouco tempo conseguiram angariar hordas de fãs descontrolados. Quando, dois anos depois, lançaram o single “I bet that you look good on the dance floor”, foram direto para o primeiro lugar das paradas.

Enquanto isso, a gravadora do Coldplay lastimava a fortuna gasta em aluguel de estúdio para tentar evitar que as músicas da banda vazassem pela internet antes do lançamento oficial. Vazou assim mesmo e o Coldplay ficou abaixo dos Arctic Monkeys na parada. Precisa dizer mais alguma coisa?