sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Pirataria x Gravadoras

Essa semana a Sony/BMG fez um recall dos seus CDs antipirataria. Pra entender com detalhes o que aconteceu leia aqui ou aqui.

Esse fato nos faz voltar a um tema importante que é a mudança do comportamento do mercado fonográfico depois do surgimento do MP3 e dos programas de file sharing. O que eu me pergunto é: porque diabos essas gravadoras continuam remando contra a maré? Não é pra desistir dos CDs, mas pra se adaptar e começar a evoluir o método de vendas de música online.

Bom, nos Estados Unidos e Europa o processo já está avançado. Aqui no Brasil o acesso a computadores e principalmente à internet não é alto suficiente para que um grande número de pessoas troque os discos pelos toca mp3. Mas o que tem acontecido aqui é o aumento da pirataria que gera o aumento do preço dos CDs que gera mais pirataria, que gera aumento do preço dos CDs...

A pirataria sempre existiu e dificilmente vai deixar de existir. É possível diminuir a pirataria diminuindo o seu número de consumidores. O problema é que com o preço dos discos subindo até a estratosfera, não há consumidor que não caia em tentação. Especialmente os jovens que vivem a base de mesada, e que sempre foram os maiores consumidores de música.

Aprendemos, ainda na escola, o princípio básico do capitalismo, que é a lei da oferta e da procura. A venda de CDs caiu vertiginosamente nos últimos anos (por vários motivos, mas principalmente pela facilidade de encontrar e baixar qualquer música pela internet). Isso significa menor procura. A resposta lógica do mercado seria diminuir a produção de CDs e/ou seu preço, certo? No entanto, o que temos visto acontecer não é bem isso. Um lançamento nacional nunca custou tão caro como hoje, algo em torno de R$30.

Conheço um site brasileiro que vende músicas pela internet (vou procurar e colocar o link aqui), mas mesmo lá as músicas são muito caras. Comprar um disco inteiro sai mais caro que comprar o CD na loja, com encarte e tudo.

A Apple já provou de uma vez por todas que o comércio de músicas pela internet é algo possível, de grande aceitação e extremamente rentável. Porque então não seguir o caminho já trilhado pelo coleguinha? A Virgin finalmente começou o seu movimento em direção ao futuro, mesmo com infinitas restrições visando a luta contra a Apple que podem prejudicar a performance da gravadora no mundo digital.

Então gravadoras, vocês estão demorando demais para repensar o seu negócio e daqui a pouco pode ser tarde demais. Há ainda muito o que evoluir no comércio virtual de música, o que estamos vendo é só o começo. A saída é usar a imaginação, sair na frente e tirar o maior proveito possível da situação. Eu tenho várias sugestões e quem quiser pode me contratar como consultora de marketing!