segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Claro que é rock em São Paulo

Não sei se eu estou mal acostumada com o alto nível do Tim Festival Rio que inclui palcos cobertos, chão de carpete vermelho, ar condicionado, shows com um público de, no máximo, 4 mil pessoas. A verdade é que achei o Claro que é Rock em São Paulo bastante desorganizado. Engarrafamento pra chegar, estacionamento cheio, outro estacionamento longe, filas gigantes para o bar, para o banheiro, falta de consenso na exigência da carteirinha de estudante. Mas, tudo isso foi esquecido durante os shows que, no geral foram muito bons.

Flaming Lips
Cheguei a tempo suficiente pra ver o show dos Flaming Lips por inteiro. Como eu previa, teatro demais pra pouco conteúdo. Teve tudo que prometeram: caminhada sobre o público dentro da bolha, bichinhos de pelúcia dançando em cima do palco, vídeos bacaninhas exibidos no telão. Infelizmente a platéia não correspondia à expectativa da banda, que não parava de implorava um por um sing along. Hits do disco Yoshimi e um cover do Queen fizeram o público lá da frente animar. Aliás, Bohemian Rapsody foi uma bela carta na manga. Uma música dessas anima qualquer platéia e de fato animou, mas serviu principalmente para deixar muita gente pensando o quanto um show do Queen devia ser emocionante. Ao longo das 8 músicas executadas pela banda muita gente deixou o show e foi descansar no lounge. Teve também discurso anti-Bush antes de "War Pigs" do Black Sabbath.

Iggy Pop
O que mais eu posso dizer sobre um show do Iggy Pop que não foi dito antes? Ele é mesmo uma lombriga saltitante que não para um minuto durante o show. Estava com o seu único modelito de roupa, uma calça jeans baixíssima que mostrava muito mais que um cofrinho. Chamou fãs para subir no palco, o que deixou os seguranças histéricos. Mas tudo acabou bem. Muito bem, inclusive. O show foi o que um show dos Stooges deve ser e não deixou por menos.

Sonic Youth
O melhor show da noite, tanto que foi o único que o público pediu bis e foi atendido. A banda confirmou a maestria instrumental, e não chegou a punhetagem musical (mesmo com longos momentos viajantes) que eu temia. Kim Gordon é uma deusa no palco, canta com uma voz rouca sensacional que deixa qualquer um babando por ela. Um pouco de eco prejudicou levemente algumas músicas. Impressiona-me como o Sonic Youth está aí há tanto tempo, e sem perder a qualidade, mesmo com uma proposta tão ousada quanto a deles. Também por isso merecem o nosso respeito.

Nine Inch Nails
Extremamente poderosos em palco, os Nine Inch Nails foram uma excelente atração. O som, mesmo pesado, estava limpíssimo e bem executado. O trabalho de iluminação era um show à parte e criou uma atmosfera perfeita para que Trent Reznor e companhia tocassem suas ótimas canções. O público gostou, mas já estava bem cansado a esse ponto. Uma pena.

Quem quiser ler uma crítica do show, dê uma olhadinha aqui.