quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Brasileirinha

Comecei a perceber que não tenho escrito sobre música brasileira no meu blog. É uma coisa meio hereditária, eu acredito. Meu primeiro contato com rock foi pelo meu pai. Ele é um cara cuja coleção de vinis adquiridos na tenra idade conta com a discografia quase completa Led Zeppelin, Jimmy Hendrix, Yes, Beatles, Eric Clapton, Bob Dylan, B.B. King. Ah, tem também UM disco dos Novos Baianos e outro do Caê. Nada de Chico nem de Elis. Nada de Mutantes, Tropicalismo, mistura de berimbau com guitarras elétricas, antropofagia. Não. Só mesmo os puros rock inglês e americano. Constatei que se tratava de um Lucy in the Sky

Tendo isso em vista resolvi realmente me esforçar pra compensar a falha genética e baixei um disco do Cachorro Grande. Sim, o nome da banda é ridículo e foi exatamente por isso evitei escutá-los durante muito tempo. Sempre achei que era o nome de um rapper brasileiro. Mas dizem por aí que o som é bom e como sempre fui da idéia de que é melhor provar e cuspir do que nunca saber qual é o gosto...

Resolvi ouvir o primeiro que é de 2001 e homônimo da banda (eles não se tocam). Acabei ouvindo também o As Próximas Horas Serão Muito Boas.

O som é rock e de rock eu gosto! Praticamente não encontrei nada exatamente ruim nos discos a não ser a voz do cantor, que, na terceira música se torna insuportável. É um som correto dentro do que se espera de uma banda de rock: de fácil digestão e animado.

Mas da mesma forma também não encontrei nada que me surpreendesse, nada que eu já não tenha ouvido antes. E principalmente no primeiro disco a influência de Mutantes corre solta. Adoro Mutantes. Eles eram super inovadores há meio século atrás.

Decepcionada com a primeira banda brasileira atual que escutei, não desisti por aqui. Fui à procura de outra banda. Mas essa fica pro próximo post.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

"You Could Have It So Much Better"

Finalmente ouvi o segundo disco do Franz Ferdinand. A primeira vez que escutei uma música dessa banda eu não me lembro quando foi, mas me lembro de quando os vi pela primeira vez. Foi a apresentação que eles fizeram para o Europe Music Awards de 2004. Tocavam seu primeiro hit, "Take Me Out", que era repetida exaustivamente nas rádios naquela época. A música me lembrava um pouco o U2 no início e a mudança de andamento, truque tão bem usado pelos Beatles, me fascinava.

Bom, nessa época eu pensava que essa seria mais uma bandinha com uma música boa cujo produtor decidiu que a sua "marca registrada" seria ternos e maquiagem. Nem me preocupei em ouvir outras músicas do disco até que esse caiu na minha mão. Ouvi e gostei. Muito. Mesmo assim continuei a subestimar o talento dos rapazes.

Nesse segundo disco eles não só alcançaram como ultrapassaram minhas expectativas. O álbum é bastante pop, disso não tenha dúvida. Mas, se todo disco pop tivesse a qualidade que esse tem, o mundo estava salvo.

"You Could Have It So Much Better" começa com "You´re The Reason I'm Leaving" que já desarma qualquer ouvinte. Em seguida sacam o simpático piano de "Eleanor Put Your Boots On". Sobre "The Fallen" sou até suspeita. Na primeira vez que a ouvi, tudo o que eu queria era já saber a letra de cor pra poder cantar junto. "Do You Want To" é a primeira música de trabalho e muito bem escolhida para esse papel. Tem um refrão fácil e pegajoso, mas surpreendente como costumam ser as canções de FF. Lembra o Blur dos 90, inclusive no vídeo, que é bem-humorado como "Girls and Byos" e "Country House" dos colegas ingleses.

O disco segue com músicas de fácil digestão, mas de forma alguma óbvias. Aliás, a tendência a surpreender é uma característica forte do grupo. Digo isso porque em várias canções podemos ouvir a quebra com o padrão verso, refrão, verso, além da mudança de andamento numa mesma canção, já comentado aqui. Uma única música chega a ter três partes completamente diferentes em termos de ritmo e melodia.

Quanto ao show que eles fariam no Brasil abrindo o U2, parece que já é um boato desmentido. Li que eles estarão acompanhando o Depeche Mode de janeiro a abril de 2005. Uma pena. Eu, como uma devoradora de shows, adoraria vê-los ao vivo.

Quem quiser assistir aos vídeos do FF clique aqui. O mais recentemente publicado foi o de "Walk Away", balada irresistível que está no meu top 5 do momento.

domingo, 18 de dezembro de 2005

As novas boybands

Dia desses estava passando um clip na TV daquela bandinha... N'Sync. Tentei me lembrar de quanto tempo havia que eu não me deparava com um clip desse tipo de grupo por aí na mídia. Esses assim, em que produtores escolhem cinco mocinhos para cantar e fazer coreografias ridículas. Esses assim, em que é muito fácil duvidar da capacidade vocal do integrantes e impossível acreditar autoria própria das músicas, por pior que ela sejam. Bom, pensei mais um pouquinho e me dei conta de que essas bandas estão aí sim, mas disfarçadas.

Avril Lavigne substituiu a Britney Spears, Blink 182 preenche o vazio deixado por N'Sinc, Good Charlotte é o Five, mas vestido de punk, e finalmente Linking Park, as novas Spice Girls. Isso mesmo, as Spice Girls, porque fui descobrir outro dia que os dois grupos foram criados pelo mesmo método que consiste em fazer uma bateria de testes e 5 desconhecidos são escolhidos pra formar um grupo, gravar álbum, fazer tournée, independente da afinidade entre os participantes.

É... o rock é o novo pop. Agora, não sei se fico com dó das pobres crianças que acreditam nesse rock farofa, ou esperançosa de que pelo menos uma delas vá se interessar por rock de verdade no futuro.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

First Impressions of Earth - The Strokes

Quem quiser ler uma versão mais bonita e bem escrita dessa crítica, põe o mouse aqui!

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Então eis que surgem todas as músicas do novo disco dos Strokes que será lançado em janeiro. Já estava ansiosa para saber se First Impressions of Earth seria mais uma continuação de Is This It, como foi Room of fire, ou se algo completamente novo apareceria. Nem um nem outro, tanto um quanto outro.

O novo álbum é certamente o mais bem cuidado dos três. Cada músico evoluiu muito com seu respectivo instrumento. Arranjos mais extravagantes e inventivos podem ser encontrados em várias faixas. O som está mais limpo, bem tratado e trabalhado.

Quase não se ouve o típico efeito no vocal que caracterizou a banda. A bateria de Fabricio Moretti está mais criativa do que no passado e chega a surpreender em faixas como Ize of the World e Heart in a Cage, duas ótimas candidatas a novo single. Nikolai Fraiture mantém o baixo bem básico. Suas melodias incríveis, que tinham participações importantíssimas nos discos anteriores, surgem agora em poucos momentos, como no refrão de Razorblade e Fear of Sleep. As guitarras continuam as mesmas, sempre aparecendo muito, algumas vezes acompanhando o vocal, outras fazendo "segunda voz" uma da outra. A novidade é que em algumas faixas elas estão mais pesadas e constantes, fazendo um papel mais de guitarra-base do que melódico. Fazem uma participação excelente em Red Light, juntamente com o baixo.

Faixas que merecem destaque são a primeira música de trabalho Juicebox, a super charmosa You only live once, e a cativante Ize of the World. Hawaii é uma música que foi tocada no Tim Festival Rio, mas que não entrou no disco.

Em First Impressions existe uma alternância entre músicas emocionantes, no melhor estilo Strokes e outras um tanto quanto chatas e monótonas. Algumas são tão monótonas que chegam a se tornar maçantes e irritantes como 15 Minutes e Killing Lies. Essas músicas têm em comum a falta de suspense e pontes características, que são sensacionais em Reptilia e Barely Legal por exemplo. São também muito repetitivas como Ask Me Anything, em que a frase I´ve got nothing to say é repetida até a exaustão. Nessas canções falta expectativa e explosão. Falta dinâmica.

O grupo dessa vez escolheu dar mais atenção aos detalhes, mas acabou esquecendo de se preocupar em como soaram as canções como um todo. Muitas vezes o resultado foi decepcionante.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Colunista esperto, Igreja e Lista de Desejos

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Álvaro Pereira Júnior, na coluna Escuta Aqui da semana passada, fez as "críticas" dos show do Claro que é Rock antes mesmo dos shows acontecerem. Imaginei o que viria na coluna dessa semana. Não falei? Olha como é fácil prever os shows desses caras! Então, foi isso mesmo que aconteceu e Álvaro conseguiu "provar que o cenário pop/rock anda previsível". Ainda completou: "E [provar] que qualquer mané que leia dois ou três sites gringos e saiba escrever uma frase com sujeito, verbo e complemento, é capaz de fazer resenhas de música pop". Hum... algo em comum com esta que voz fala?

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O Arcade Fire começou a gravar seu segundo disco. E para isso compraram nada mais, nada menos do que... uma igreja. Estão reformando o local para ser transformado em estúdio. O guitarrista Tim Kingsbury justifica: "Tim e Regine meio que tinham uma fantasia de comprar uma igreja". A tal igreja foi encontrada pela internet e fica perto de Montreal. Nela cabem cerca de 150 pessoas. Segundo o músico, a igreja é Presbiteriana e foi construída em torno de 1900. Durante um tempo serviu de abrigo Maçônico, tanto que em uma das janelas pode ser visto um símbolo maçônico em vidro fundido. "Temos quase certeza que Maria Madalena está enterrada no porão" brinca Kingsbury. O disco deve ser lançado na segunda metade de 2006 e só mesmo um milagre pode fazer com ele supere seu incrível antecessor.

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O Natal está chegando e agora é a hora de mandar a lista de presentes pro Bom Velhinho ou pra qualquer Boa Alma que ouça nossos pedidos. Venho então tornar pública a lista de presentes que eu gostaria de assistir aqui no Brasil no ano que vem, tendo em vista que 2006 potencialmente pode superar esse ano de festivais inesquecíveis que foi 2005.

1 - Clap your Hands Say Yeah
2 - Queens of the Stone Age (porque eu perdi o outro)
3 - Franz Ferdinand (esse não vale porque já é quase certo que eles vêm abrir U2, então troco por The Killers)
4 - Foo Fighters
5 – Spoon

E como a esperança é a última que morre, coloco também na lista a mais desejada de 10 entre 10 indie-rockers, o Radiohead.

Quem quiser completar a lista ou fazer a sua própria, por favor, sinta-se à vontade. Os comentários estão aí pra isso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

As maravilhas que a internet pode fazer por sua banda

Ninguém pode deixar de conhecer a rádio online last.fm. Você vai lá, se cadastra rapidinho, baixa um programinha e pronto. Todas as músicas que você puder imaginar estão lá disponíveis, em boa qualidade, para você ouvir quando quiser. Uma maravilha pra quem não tem preconceitos e gosta de conhecer novos sons.

É possível escolher o estilo da rádio ou criar a sua. Quero dizer, você faz uma lista de artistas que gostaria de ouvir e o DJ dEUS vai lá e faz a programação para você. E ainda dá uma incrementada com artistas similares àqueles que você escolheu.

Como é de praxe, o usuário cria um perfil, troca figurinhas com os colegas que compartilham do gosto musical, faz listas das bandas e músicas preferidas entre outras coisas.

Vou aproveitar a deixa e falar mais um uma coisinha a respeito do assunto do post retrasado. Também não pouparei palavras ao exaltar a Internet como instrumento de divulgação de música, principalmente para artistas independentes.

Está cada dia mais fácil ouvir histórias de bandas que nunca lançaram um CD mas que estouraram graças à rede. Temos nessa lista os paulistas do Cansei de Ser Sexy e os cariocas do Forfun. Mas o exemplo clássico e definitivo dessa revolução é o da banda Arctic Monkeys que colocou suas duas únicas músicas no MySpace e em pouco tempo conseguiram angariar hordas de fãs descontrolados. Quando, dois anos depois, lançaram o single “I bet that you look good on the dance floor”, foram direto para o primeiro lugar das paradas.

Enquanto isso, a gravadora do Coldplay lastimava a fortuna gasta em aluguel de estúdio para tentar evitar que as músicas da banda vazassem pela internet antes do lançamento oficial. Vazou assim mesmo e o Coldplay ficou abaixo dos Arctic Monkeys na parada. Precisa dizer mais alguma coisa?

terça-feira, 29 de novembro de 2005

Tributo aos 25 anos da morte de John Lennon

Para homenagear os 25 anos da morte de John Lennon (08/12/80), o GNT exibe três documentários inéditos sobre o ex-Beatle:
Dia 05/12 às 21h - John & Yoko: Give Peace a Chance Documentário sobre o famoso bed-in que John e Yoko fizeram no Hotel Elizabeth, em Montreal, 1968, em nome da paz. Jornalistas e fãs que participaram daquele evento histórico relembram os momentos mágicos que passaram ao lado do ex-Beatle e sua esposa durante o protesto pacífico.
Dia 06/12 às 21h - Imagine, Imagine O documentário é uma viagem fascinante ao universo da imaginação, da criatividade e da inspiração das composições de John Lennon. O programa traz ainda imagens inéditas que foram encontradas, por acaso, nos arquivos dos co-produtores do show Arena. Essas imagens foram filmadas há trinta anos e mostram John e Yoko, na mansão do casal em Tittenhurst Park; além de outros trechos também inéditos de John com Mick Jagger. O documentário é uma co-produção da BBC e ORF, vencedor da Medalha de Ouro Internacional do Festival de New York 2005.
Dia 07/12 às 21h - Os Segredos dos Beatles (parte 1)
Dia 08/12 às 21h - Os Segredos dos Beatles (parte 2) Eles formaram a banda de rock mais famosa de todos os tempos, revolucionaram a música pop e mudaram a nossa forma de vida para sempre. Mas por trás da imagem impecável que exibiam estava uma estória obscura de sexo, drogas e rock and roll. Esse documentário narra a trajetória dos Beatles e aborda os escândalos envolvendo os integrantes da banda, como a suposta homossexualidade de Jonh Lennon, a causa do suicídio de Brian Epstein, as traições de Paul McCartney, as brigas pela liderança, a revolta com a presença de Yoko Ono e o fim do grupo.
Dia 11/12 às 9h30 e às 19h30, exibição da versão integral do documentário

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Claro que é rock em São Paulo

Não sei se eu estou mal acostumada com o alto nível do Tim Festival Rio que inclui palcos cobertos, chão de carpete vermelho, ar condicionado, shows com um público de, no máximo, 4 mil pessoas. A verdade é que achei o Claro que é Rock em São Paulo bastante desorganizado. Engarrafamento pra chegar, estacionamento cheio, outro estacionamento longe, filas gigantes para o bar, para o banheiro, falta de consenso na exigência da carteirinha de estudante. Mas, tudo isso foi esquecido durante os shows que, no geral foram muito bons.

Flaming Lips
Cheguei a tempo suficiente pra ver o show dos Flaming Lips por inteiro. Como eu previa, teatro demais pra pouco conteúdo. Teve tudo que prometeram: caminhada sobre o público dentro da bolha, bichinhos de pelúcia dançando em cima do palco, vídeos bacaninhas exibidos no telão. Infelizmente a platéia não correspondia à expectativa da banda, que não parava de implorava um por um sing along. Hits do disco Yoshimi e um cover do Queen fizeram o público lá da frente animar. Aliás, Bohemian Rapsody foi uma bela carta na manga. Uma música dessas anima qualquer platéia e de fato animou, mas serviu principalmente para deixar muita gente pensando o quanto um show do Queen devia ser emocionante. Ao longo das 8 músicas executadas pela banda muita gente deixou o show e foi descansar no lounge. Teve também discurso anti-Bush antes de "War Pigs" do Black Sabbath.

Iggy Pop
O que mais eu posso dizer sobre um show do Iggy Pop que não foi dito antes? Ele é mesmo uma lombriga saltitante que não para um minuto durante o show. Estava com o seu único modelito de roupa, uma calça jeans baixíssima que mostrava muito mais que um cofrinho. Chamou fãs para subir no palco, o que deixou os seguranças histéricos. Mas tudo acabou bem. Muito bem, inclusive. O show foi o que um show dos Stooges deve ser e não deixou por menos.

Sonic Youth
O melhor show da noite, tanto que foi o único que o público pediu bis e foi atendido. A banda confirmou a maestria instrumental, e não chegou a punhetagem musical (mesmo com longos momentos viajantes) que eu temia. Kim Gordon é uma deusa no palco, canta com uma voz rouca sensacional que deixa qualquer um babando por ela. Um pouco de eco prejudicou levemente algumas músicas. Impressiona-me como o Sonic Youth está aí há tanto tempo, e sem perder a qualidade, mesmo com uma proposta tão ousada quanto a deles. Também por isso merecem o nosso respeito.

Nine Inch Nails
Extremamente poderosos em palco, os Nine Inch Nails foram uma excelente atração. O som, mesmo pesado, estava limpíssimo e bem executado. O trabalho de iluminação era um show à parte e criou uma atmosfera perfeita para que Trent Reznor e companhia tocassem suas ótimas canções. O público gostou, mas já estava bem cansado a esse ponto. Uma pena.

Quem quiser ler uma crítica do show, dê uma olhadinha aqui.

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Pirataria x Gravadoras

Essa semana a Sony/BMG fez um recall dos seus CDs antipirataria. Pra entender com detalhes o que aconteceu leia aqui ou aqui.

Esse fato nos faz voltar a um tema importante que é a mudança do comportamento do mercado fonográfico depois do surgimento do MP3 e dos programas de file sharing. O que eu me pergunto é: porque diabos essas gravadoras continuam remando contra a maré? Não é pra desistir dos CDs, mas pra se adaptar e começar a evoluir o método de vendas de música online.

Bom, nos Estados Unidos e Europa o processo já está avançado. Aqui no Brasil o acesso a computadores e principalmente à internet não é alto suficiente para que um grande número de pessoas troque os discos pelos toca mp3. Mas o que tem acontecido aqui é o aumento da pirataria que gera o aumento do preço dos CDs que gera mais pirataria, que gera aumento do preço dos CDs...

A pirataria sempre existiu e dificilmente vai deixar de existir. É possível diminuir a pirataria diminuindo o seu número de consumidores. O problema é que com o preço dos discos subindo até a estratosfera, não há consumidor que não caia em tentação. Especialmente os jovens que vivem a base de mesada, e que sempre foram os maiores consumidores de música.

Aprendemos, ainda na escola, o princípio básico do capitalismo, que é a lei da oferta e da procura. A venda de CDs caiu vertiginosamente nos últimos anos (por vários motivos, mas principalmente pela facilidade de encontrar e baixar qualquer música pela internet). Isso significa menor procura. A resposta lógica do mercado seria diminuir a produção de CDs e/ou seu preço, certo? No entanto, o que temos visto acontecer não é bem isso. Um lançamento nacional nunca custou tão caro como hoje, algo em torno de R$30.

Conheço um site brasileiro que vende músicas pela internet (vou procurar e colocar o link aqui), mas mesmo lá as músicas são muito caras. Comprar um disco inteiro sai mais caro que comprar o CD na loja, com encarte e tudo.

A Apple já provou de uma vez por todas que o comércio de músicas pela internet é algo possível, de grande aceitação e extremamente rentável. Porque então não seguir o caminho já trilhado pelo coleguinha? A Virgin finalmente começou o seu movimento em direção ao futuro, mesmo com infinitas restrições visando a luta contra a Apple que podem prejudicar a performance da gravadora no mundo digital.

Então gravadoras, vocês estão demorando demais para repensar o seu negócio e daqui a pouco pode ser tarde demais. Há ainda muito o que evoluir no comércio virtual de música, o que estamos vendo é só o começo. A saída é usar a imaginação, sair na frente e tirar o maior proveito possível da situação. Eu tenho várias sugestões e quem quiser pode me contratar como consultora de marketing!

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Internet, propaganda e festival

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O negócio é altamente viciador. Qualquer migalha de tempo livre que tenho, gasto nisso. Estou falando da nova campanha da Virgin, “Do you see music”. Pra quem ainda não viu, vá lá conferir agora. No site VirginDigital.com você encontra um vídeo e uma imagem cheios de trocadilhos visuais com nomes de músicas e de bandas/artistas respectivamente. Dos dois, o mais bacana é a imagem com nomes de bandas. Para quem mora nos Estados Unidos rolam prêmios excelentes pra quem descobrir mais bandas. Segundo a lista, é possível encontrar 74 nomes mas eu cheguei a apenas pouco mais de trinta. Como todo mundo que trabalha perto de mim viciou também, agora já sei quase todas, virei especialista.

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Outra coisa maravilhosa que descobri ultimamente é o Evil Lyrics. Funciona assim: você baixa o programa aqui, escolhe qual programa de música você usa (iTunes, Media Player, etc), coloca uma música pra tocar e o programa te dá a letra imediatamente. Simples assim. Ah, tem também uns esquemas de karaokê, mas útil mesmo é a busca de letras.

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Para esquentar para o Claro que é Rock....

"These were not normal guys from normal families - you're talking about freaks"
Michele Vlasimsky, Flaming Lips manager 1986-1990

"We're just normal guys trying to make interesting music"
Wayne Coyne, head Flaming Lip, 2001

Flaming Lips surgiu em 1983. Desde então lançou 11 discos e se tornou uma banda de grande importância na cena indie mundial.

Atualmente, Lips é uma banda de 3 integrantes: Wayne Coyne (líder, cabeça pensante da banda), Michael Ivins (baixo, teclado, engenheiro de som, “dispositivos”) e Steven Drozd (bateria, teclado e guitarra de 91 a 96, e quase todos os instrumentos a partir de 97).

O último disco de músicas inéditas, Yoshimi Battles the Pink Robbots foi lançado em 2002 e é bastante emotivo, singelo, cuidadoso.

As melodias são bonitas e às vezes ingênuas, o que não é exatamente uma coisa ruim. Vide música-título parte1, cuja ingenuidade a transforma numa música extremamente charmosa e divertida.

A melodia do vocal da música de abertura, “Fight Test”, lembra em muitos momentos a de “Father and Son” do Cat Stevens, que é sensacional ao seu modo. O upgrade de “Fight Test” vem nos arranjos e efeitos sonoros.

Outra música que merece destaque é “Do you realize” cujos versos são de encher os olhos de lágrimas. Ela pode ser facilmente inserida numa rodinha de violão, boa de cantar junto, cheia de ô-ô-ôs, mudança de tom pra aumentar a emoção.

É possível escutar o disco integralmente no completíssimo site oficial da banda que segue a direção de arte do último disco e é, portanto de extremo bom gosto.

Não é só a música que transforma o show do FL em um verdadeiro espetáculo. A banda gosta de um mis-en-scene e costuma vestir fantasias de bichos de pelúcia e de dar passeios sobre o público em uma bolha gigante. Além disso, são os próprios músicos que editam os vídeos projetados no telão durante o show. Brian Molko do Placebo foi quem indicou os Flaming Lips para o CQÉR e disse que esse era "o melhor show que já vi na vida. É como ir numa festa de aniversário de criança viajando de ácido!". Eu, hein.

Espero que, com tanta performance, sobre tempo para que Wayne Coyne e banda também toquem suas belas músicas.

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

New York City punks












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É inevitável fazer comparações entre os Strokes e os Ramones. Mas nunca os Strokes soaram tanto quanto os Ramones como em "Hawaii Aloha", música do novo disco da banda, First Impressions of Earth, que será lançado em janeiro de 2006.
Já ouvi algumas músicas do terceiro disco da banda e posso dizer que ele não vai decepcionar. O primeiro vídeo, da música "Juicebox", teve sua primeira exibição ontem na TV americana. Pode ser conferido no site oficial da banda. A música foge um pouco do Strokes que conhecemos com uma introdução um tanto quanto pesada, com um riff quase metaleiro. O vocal entra dando um toque soturno, meio The Cure pra coisa e fica sensacional quando Julian dá seus belos gritos no refrão. Aliás, que refrão!
Das seis músicas de First Impressions que ouvi posso dizer que a banda continua com sua impressionante dificuldade de criar músicas que não sejam hits.
No entanto fiquei bastante assustada com uma música específica, chamada "15 Minutes of Pain". Meu Deus, pain foi o que eu senti ouvindo essa música. Nada salva. O ritmo é estranho, meio lento, fica parecendo música de fim de show de banda decadente. Dessa vez o vocal decepciona e Julian soa como um bêbado cantando karaokê. Linhas desinteressantes de todos os instrumentos contribuem para uma música completamente sem propósito e monótona. Ela começa bem calma e vai pegando peso, mas isso só a torna mais torturante para o ouvinte.
Bom, agora é só esperar que as outras músicas não sigam o insucesso "15 Minutes of Pain"

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DJ Edinho, ex-Bunker, atual Casa da Matriz. Já conferi o cara nos dois ambientes e fiquei muito satisfeita quando vi que ele estaria discotecando na Obra nessa sexta-feira.
Ele faz uma linha 4 hits pra 1 semi-hit e portanto bastante popular. Sem dúvida um som dançante e animado com todo mundo cantando junto. Pedimos Arctic Monkeys e fomos atendidos. Quando perguntei se ele tinha alguma do Clap Your Hands Say Yeah ele disse: "Ah... mas é muito indie pra essa galera..". Quê??? É mesmo, esqueci que os mineiros são capiais. Até a hora que fui embora ele não havia tocado Clap Your Hands, mas definitivamente não fiz questão nenhuma de esperar a continuação do set depois dessa tirada.

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Claro que é Rock no fim de semana que vem é um evento que merece respeito. Traz bandas ultra significativas como Stooges, Sonic Youth, Flamming Lips e Nine Inch Nails. A única coisa que não entendi foi o Good Charlote. Que coisa mais disparatada! A boyband vestida de punk não engana ninguém e provavelmente vai ser um peixe fora d'água no festival.

domingo, 13 de novembro de 2005

Perfis musicais - Quem é você?

Tenho pensado bastante no gosto musical das pessoas. E no comportamento delas em relação à música. O resultado dos meus estudos pode ser conferido abaixo:


Jabá: As pessoas pertencentes a esse perfil costumam ter no máximo 18 anos. Seu conhecimento musical é restrito àquilo que se encontra facilmente nas rádios (98FM e JovemPam) e mais atualmente na MTV. Compram CDs dos 10 mais da semana. O que encontramos na sua prateleira, quer dizer, iPod: Pitty, CPM22, O Rappa, Marcelo D2, Blink182, Avril Lavigne. (Importante observar a versatilidade desse perfil que se adequa a qualquer época. Os fãs de Legião, Blitz e Ultraje são os equivalentes nos anos 80 e 90)

Shopping Oi: sub-gênero do Jabá, mas a fonte de informação é a BH FM, escuta principalmente música sertaneja. No passado escutava Axé. Mais no passado ainda também escutava sertaneja. Uma facção mais radical escuta funk. O que toca no iPod: Cesar Menotti e Fabiano, todas as duplas que participavam do AMIGOS, Tati quebra-barraco, DJ Marlboro, Banda Eva e Banda Cheiro de Amor.

Múmia: Parou no tempo. Como exemplo temos minha querida mãe. A última novidade musical que ela ouviu foi Carole King, provavelmente. Depois disso ela se deu por satisfeita e não se preocupou em prestar atenção em mais nenhuma música que toca por aí, mesmo com toda a variedade que o mercado fonográfico dispõe desde então. Esse perfil não está ligado a uma época, mas provavelmente à idade da vítima. Novas múmias surgem a cada momento. O que toca no iPod: varia de acordo com a época da mumificação.

ChicoElisCaêGilBetâniaMutantes: Esse é um sub-gênero da múmia. É uma múmia que adora MPB. O nome já diz o que toca no iPod. (alguns conseguiram ressuscitar no século XXI e também escutam Nação Zumbi, Los Hermanos, Cordel do Fogo Ecantado, Lenine)

Lucy in the Sky: Psicodelia é a sua onda. Músicas que durem menos de 10min estão fora da lista. As preferidas são aquelas que tem continuação (tipo "Alan's Psycodelic Breakfast" parte (a) Rise and Shine, parte (b) Sunny Side up, parte (c) Morning Glory) ou que durem um lado inteiro do disco. Ah sim, lado do disco, porque esses também têm um quê de múmia. O que toca no iPod: Led, Pink Floyd, the Who, Jimmy Hendrix, Janis Joplin. Quando querem relaxar variam ouvindo um pouquinho de Bob Marley.

AvantGarde: O oposto absoluto da múmia. Só conhece coisas que acabaram de ser lançadas e bandas de lugares bem inúsitados, quanto mais nórdico melhor. Músicas lançadas há duas semanas já estão datadas. Algumas ainda nem foram lançadas no mercado, só existem num site obscuro, num formato desconhecido, com um número máximo de downloads disponível porque só os 12 mais rápidos merecem conhecer. Alguns desses caras têm inclusive a incrível capacidade de conhecer músicas que por enquanto só existem dentro da cabeça dos seus autores! O que toca no iPod: ainda não ouvi.

O especialista: estuda música, toca vários instrumentos, conhece de tudo um pouco, versa facilmente sobre qualquer assunto relacionado a tempos e contra-tempos e qualquer um se sente uma ameba musical perto desse cara. O que toda no iPod: de Mozart a Massive Atack, chupa o dedão do pé do Jorge Mautner.

Tô nem aí: Não sabe o que toca na rádio, ouviu meia dúzia de músicas dos Beatles, duas do Nirvana, e desconhece Strokes. Ter ou não ter rádio no carro não faz a menor diferença. Não teve Napster, muito menos outro programa de file sharing. O que toca no iPod: Ai o quê???

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Hey Ho


Então vamos começar.

É preciso muita coragem para fazer um blog. Principalmente um blog sobre música, um tema que mundo acha que conhece a fundo e que toca no gosto pessoal de cada um.

Conheço donos de blogs famosos que me contaram coisas assustadoras da vida de quem tem blog. Por exemplo, certo dia você dá de cara com um amigo de infancia, você fica muito feliz em vê-lo depois de tanto tempo, mas ele fecha a cara e vem te dizer o quanto ficou chateado com o seu comentário preconceituoso sobre "uma seita bizarra" da qual ele faz parte e você nao sabia. É preciso pensar bem antes de afirmar qualquer coisa sobre qualquer assunto.

Tem também o compromisso de escrever freqüentemente, que as vezes se torna um pé no saco. Todo mundo sabe que tem dias que nao sai nada legal por maior que seja o esforço. E aí vem a culpa de quando se quebra um compromisso.

Além disso, todo mundo vai reparar quando você trocar uns Ss por Cs escrevendo nessa linguinha ingrata na qual ansioso é com S e atencioso é com C. Qualquer erro cometido, ou pensamento indigesto será atestado e comprovado pelo documento que é um post assinado por voce. Uma pessoa com a auto-crítica além da conta, é um sofredor potencial quado cria um blog.

Bom, então porque diabos eu resolvi fazer um blog sobre música? Andei percebendo o quanto tenho ficado inflamada em discussões musicais nos últimos tempos, principalmente quanto algum ser-vindo-do-planeta-dos-desafinados vem falar que os Beatles não prestam. Por isso resolvi tornar públicas as minha opiniões sobre os movimentos musicais, em especial o Rock. Fico imaginando que talvez dessa forma as pessoas levem mais a sério do que numa mesa de bar o único tema sobre o qual sei balbuciar algumas opiniões.

Mas o motivo principal não é esse. A verdade é que eu sou completamente viciada nessa coisinha entorpecente chamada música. Ela entrou na minha vida no dia em que assisti A noviça rebelde pela primeira vez aos 3 anos de idade, no dia que ouvi Papa don´t Preach aos 4 , e no dia que minha mãe me colocou pra cantar na coroação de Nossa Senhora aos 5.

Ela ficou de vez no dia em que cheguei ao Nirvana aos 12, fiquei de luto quando o Kurt morreu e resolvi aprender guitarra pra ter uma banda tão boa e admirada quanto a dele. Obviamente essa banda nunca existiu, caso contrário você ja teria ouvido falar dela, e eu me tornei uma guitarrista frustrada. E o que músicos frustrasdos fazem? Viram críticos musicais. Ou, no máximo têm um blog onde vivem a fantasia de que são críticos músicais.

Então pessoal, aqui começa o meu blog sobre Rock 'n Roll e tudo que vem junto com ele, com uma homenagem à noviça gente-boa no dia em que ela ensinou as 7 notas musicais para mim e meus amigos da família Von Trapp.